segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Trabalho Cordisburgo






QUESTÕES:


1) Cordisburgo é conhecida por fazer parte do circuito turístico das Grutas, teve grande destaque por ser a terra natal do escritor João Guimarães Rosa. 


A “cidade do coração” teve esse nome de qual origem sociocultural?


2) Qual o impacto desse patrimônio cultural e turístico para Minas Gerais e sua cidade onde vive? (Betim, Contagem, Bh).


3) Quem foi Peter Wilhelm Lund e qual a relação com a “Casa Elefante”?


4) Qual a importância de Peter Lund para a cidade de Cordisburgo?


5) Tigre Dente-de-Sabre e a preguiça gigante faz parte do zoológico de pedras de qual descoberta arqueológica? 


6) Qual a importância de Guimarães Rosa para a cidade de Cordisburgo?


7) Qual a relação do Museu e Guimarães Rosa?


8) Responda todas as questões em seu caderno de sociologia e entregue somente um texto relacionando todas as respostas contextualizadas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Etnocentrismo e relativismo cultural

Etnocentrismo consiste em considerar o próprio grupo como o centro e suas normas como as corretas, avaliando e julgando os demais grupos a partir dele. a cultura de nosso grupo, de nosso povo, é vista como superior. As outras são consideradas tanto mais desenvolvidas quanto mais se aproximem da nossa. Um exemplo clássico de etnocentrismo é o dos colonizadores europeus, diante dos povos indígenas. Os europeus consideravam-se "a civilização"e os índios eram tidos como bárbaros, primitivos e atrasados. O etnocentrismo transforma a cultura do grupo em padrão de medida. Nossa religião é a verdadeira, nossa raça é superior; nossa sociedade é mais desenvolvida; nosso país é melhor do mundo; etc.
De acordo com o relativismo cultural, por outro lado, cada aspecto ou característica de uma cultura refere-se a seu ambiente, a seu grupo. Cada comportamento é bom ou mau em relação à cultura em que está inserido. não podemos analisar e compreender os comportamentos de outros grupos e culturas com os critérios, valores e motivos do nosso grupo e de nossa cultura.
Vejamos alguns exemplos: entre nós, a justiça pelas próprias mãos e a vingança são condenáveis, mas entre esquimós são perfeitamente normais.
O relativismo cultural, portanto, opõe-se ao etnocentrismo.

Questões:

1 - O que é etnocentrismo? Dê exemplos.
2 - O que é relativismo cultural? Dê exemplos.
3 - Agora fale nas suas palavras o que você acha destes dois termos e como podemos relacioná-los com nossos dias.

Ideais Iluministas

O iluminismo ocorreu durante o século XVII na Europa e objetivava propor uma organização social pela razão, frente o contexto religioso que imperava no mundo europeu desde o início da Idade Média.
Nessa situação, a população tornou-se consciente de seus direitos e percebeu que a Igreja, sobretudo a Católica, não era tão benéfica e tão ética com os compromissos sociais, como falsamente a instituição pregava durante longos doze séculos até então.
A partir de então, uma corrente ideológica emerge na Europa, propondo por A mais B que a razão é a melhor forma de se administrar a sociedade, uma vez que a Igreja não lutava contra a desigualdade economica e segregação social que se apresentava na sociedade na época.
Perdendo popularidade e poder ideológico social, a Igreja é forçada gradativamente a aceitar o modelo heliocentrico (sol no meio do sistema solar), dentre outras teorias científicas que até então era negada pela instituição.
É importante considerar que o movimento iluminista influenciou fortemente a Revolução Francesa, a inconfidência Mineira no Brasil e a Independência das Colônias Ingresas na América do Norte.
Durante o iluminismo, é merecido destaque ao século XVII, o Século das Luzes, por sua contribuição imensurável as ideias iluministas que objetivavam, como por exemplo, igualdade, fraternidade e liberdade, que foram as palavras chaves da revolução Francesa.
Segundo os filósofos iluministas, o ser humano é por natureza racional e boa, todavia devido a forças sociais, ele é corrompido. Exemplo disso, é o absolutismo e o mercantilismo que segregavam a sociedade europeia com sua concentração de recursos financeiros.
Dentre os principais, filósofos do iluminismo, destaca-se: John Locke (1632 - 1704), afirmava que o homem adquiria conhecimento com o passar do tempo através do conhecimento popular ou empirismo; Voltaire (1694 - 1778), defendia a liberdade de pensamento, bem como a promoção do pensamento crítico e a intolerância religiosa, Jean Jacques Rousseau (1712 - 1778), defendeu a ideia de um estado democrático que garanta igualdade para todos, enquanto Montesquieu (1689 - 1755) dividiu o poder político em Judiciário, Legislativo e Executivo; Jean Le Rond d'Alembert (1717 - 1783) e Denis Diderot (1713 - 1784) organizaram uma enciclopédia com conhecimento e pensamentos filosóficos inerentes a sua época.

Questões:

1- O que foi o Iluminismo?
2- Quais são as principais ideias iluministas?
3 - Discorra brevemente sobre as ideias dos principais filos'ofos do iluminismo.
4 - Por que a igreja perdeu controle social?
5 - Cite três momentos hist'oricos que receberam massiva influência do iluminismo.

terça-feira, 3 de março de 2015

Classicos da sociologia (Marx, Weber e Durkheim)

KARL MARX
Para Marx , há uma tendência histórica das relações sociais se mercantilizarem: tudo vira mercadoria.
Provavelmente Marx tenha dado tanta importância à economia porque estivesse presenciando as mudanças sociais provocadas pela Revolução Industrial, principalmente nas relações de trabalho.  A partir da centralidade da mercadoria no pensamento de Marx, podemos entender alguns de seus conceitos mais importantes.  Comecemos pela divisão do trabalho. 
DIVISÃO DO TRABALHO
Evolutivamente, a divisão do trabalho é a segunda maneira de construir relações sociais de produção, que são formas como as sociedades se organizam para suprir suas necessidades.  A primeira é a cooperação. Falar em divisão do trabalho em Marx é falar em formas de propriedade.  Isso porque a divisão do trabalho se dá entre quem concede e quem executa o trabalho, entre os donos dos meios de produção e os donos da força de trabalho.
CLASSES
Da divisão do trabalho surgem as classes.  Para Marx, as classes não são constituídas de agregados de indivíduos, mas são definidas estruturalmente: as classes são efeito da estrutura.  No modo de produção antigo as classes eram a dos patrícios e dos escravos; no modo de produção feudal, havia senhores e servos; no modo de produção capitalista, burgueses e operários.  Há sempre uma relação de oposição entre duas classes, de modo que uma não existe sem a outra.  Esta oposição ele chamou de luta de classes.
LUTA DE CLASSES
As lutas de classes assim como as classes decorrem da divisão do trabalho.  Nas sociedades modernas a luta de classes se dá entre capitalistas ou burgueses (donos dos meios de produção) e trabalhadores ou proletariado (donos da força de trabalho).  O trabalho nas sociedades modernas é denunciado por Marx pelo seu caráter exploratório do trabalhador.  No entanto, Marx vê uma solução para esta relação exploratória: a revolução que seria feita pelo proletariado.  No entanto, a revolução do proletariado contra o modo de produção capitalista só não acontece, segundo Marx, devido à alienação.
FETICHISMO
A separação da mercadoria produzida pelo trabalhador dele mesmo esconde o caráter social do trabalho.  O fetichismo se dá quando a relação entre os valores aparece como algo natural, independente dos homens que os criaram. A criatura se desgarra do criador. O fetichismo incapacita o homem de enxergar o que há por trás das relações sociais. E o maior exemplo de fetichismo da mercadoria é a mais-valia.
MAIS-VALIA
A mais-valia é o excedente de trabalho não pago, não incluído no salário do trabalhador.  É a mais-valia que forma o lucro que será investido para aumentar o capital.
ALIENAÇÃO
A alienação faz com que o trabalhador não se reconheça no produto de seu trabalho, não percebendo a sua condição de explorado.  A solução para o problema da alienação passa por uma luta política do próprio proletariado e não pela educação.
IDEOLOGIA
Como dissemos, as classes dominantes controlam os meios de produção.  A infraestrutura (conhecimentos, fábricas, sementes, tecnologia etc.), que está nas mãos da classe dominante, determina a superestrutura (Estado, Direito, Religião, Cultura etc.).  A superestrutura é uma construção ideológica que serve para garantir o poder da classe dominante, mantendo a classe trabalhadora alienada.
PRINCIPAIS CRÍTICAS SOCIOLÓGICAS A MARX
Marx não reconhece outros fatores de formação social além dos econômicos.  Para ele, a economia determina todas as relações sociais, o que foi amplamente apropriado pelos economistas.  Existem critérios não econômicos que as ideias de Marx não dão conta na hora de analisar sociologicamente uma sociedade.  Por exemplo, Marx desconsidera a divisão técnica do trabalho.  Para ele, a divisão do trabalho obedece apenas fatores econômicos.
As ideias de Marx aproximam-se mais de uma filosofia moralista que de uma produção científica.  Talvez este seja o motivo de tanto sucesso das ideias de Marx durante o século XX, o que deu origem ao marxismo, que são interpretações dos escritos de Marx. A verdade em Marx é uma verdade absoluta, moralista, doutrinária.  Isso dá à teoria marxista um caráter ilustrativo: como a “verdade” já foi descoberta (por Marx) cabia aos cientistas ilustrar com exemplos a ‘verdade’ enunciada por Marx. Por muito tempo os cientistas sociais aplicaram a teoria de Marx.
ÉMILE DURKHEIM
David Émile Durkheim nasceu em 15 de abril de 1858, na França, e morreu em 1917.  O princípio sociológico de Durkheim está fundado no social.  Para ele, o que não advém do social não tem importância para a sociologia que ele pretende fazer.  Isso porque a sociedade é a pré-condição de ser humano: é na sociedade que a vida social unifica, estrutura e gera significados para a existência humana.  Ele é determinista, dando absoluto predomínio ao social tanto no plano causal quanto no plano das ações.
O social existe no plano ideal.  Para Durkheim, é no social que está tudo aquilo que a gente sabe, que os antepassados descobriram e que as futuras gerações irão descobrir.  O social é universal e, por isso, objetivo e racional.
REPRESENTAÇÕES COLETIVAS
O social cria representações coletivas, que são atitudes comuns de uma determinada coletividade em uma determinada época.  Esta representação coletiva independe dos indivíduos, pois o indivíduo não tem poder criativo.  Em Durkheim, o social que determina o indivíduo.  É como se cada indivíduo trouxesse em si a marca do social, e esta marca determinasse suas ações.
SOLIDARIEDADE
A comunhão dessas representações coletivas é por ele chamado de solidariedade.  Não se trata de um sentimento de bondade, mas de uma comunhão de ideias.  A solidariedade é o partilhar de um mesmo conjunto de regras.
Há dois tipos de solidariedades, a mecânica ou por similitudes e a orgânica ou devida à divisão do trabalho.  A evolução de uma sociedade faz com que ela passe da solidariedade mecânica, em que o partilhar das regras é feita de maneira coerciva, para a solidariedade orgânica, em que o partilhar das regras sociais é feita a partir da diferenciação feita pela divisão do trabalho social.  Mas até em sociedades mais complexas ainda há espaço para a solidariedade mecânica.  É o caso do direito penal: o direito penal é um resíduo de solidariedade mecânica ainda existente nas sociedades complexas.
DIVISÃO DO TRABALHO E FUNCIONALISMO
A divisão do trabalho, para ele, pode ser: normal ou geral e anômica ou patológica.  Normal é o que se repete de maneira igual, o que funciona espontaneamente, gerando a solidariedade necessária à evolução do social.  O patológico é aquilo que difere do normal.  Durkheim acha que as coisas tendem à normalidade: até o patológico caminha para a normalidade.
Durkheim compara a sociedade a um corpo humano, onde o Estado é o cérebro, elaborando representações coletivas que aperfeiçoem a solidariedade.  Para ele, todas as partes do corpo tem uma função, não havendo hierarquias entre as diferentes partes.  É uma sociedade harmônica.
Até o crime é considerado normal porque não há sociedade onde não haja crime e também tem uma função social, a função de manter e gerar uma coesão social.  Quando acontece um crime, a consciência coletiva é atingida: o social é agredido pelo indivíduo.  Um ato não ofende a consciência coletiva porque seja criminoso, mas é criminoso porque ofende a consciência coletiva.  No entanto, o Estado pode fortalecer a consciência coletiva através da punição do criminoso.  É através da punição do criminoso que a consciência coletiva mantém a sua vitalidade.   A pena impede um crescimento exagerado do crime, não permitindo que ele se torne patológico.
Numa visão durkheimiana, a impunidade, não punição do crime pelo Estado, enfraquece a consciência coletiva, os laços de solidariedade, gerando um estado de anomia.  Quando o patológico prevalece sobre o normal, há uma desestruturação social.  O estado de anomia é uma situação limite e sem função na sociedade.



PRINCIPAIS CRÍTICAS SOCIOLÓGICAS A DURKHEIM
Durkheim dá excessiva ênfase ao social, o que acaba retirando a responsabilidade do indivíduo em suas ações.  Há pouco espaço para o indivíduo decidir, escolher, no pensamento durkheimiano.  Até a ideia de indivíduo, segundo ele, é construída pelo social.
Suas teorias sofrem muita influencia do positivismo e do evolucionismo social.
MAX WEBER
Max Weber nasceu em Erfurt, em 21 de abril de 1864, e faleceu em junho de 1920.  Weber vive numa época em que as ideias de Freud impactavam as ciências sociais e em que os valores do individualismo moderno começavam a se consolidar.  A grande inovação que Weber trouxe para a sociologia foi o individualismo metodológico.  Para ele, o indivíduo escolhe ser o que é, embora as escolhas sejam limitadas pelo grau de conhecimento do indivíduo e pelas oportunidades oferecidas pela sociedade.  O indivíduo é levado a escolher em todo instante, o que faz da vida uma constante possibilidade de mudança.  O indivíduo escolhe em meio aos embates da vida social.  Essa ideia faz com que o sentido da vida, da história, seja dado pelo próprio indivíduo.  Os processos não têm sentido neles mesmos, mas são os indivíduos que dão sentido aos processos.
AÇÃO SOCIAL
A sociedade em Weber é vista como um conjunto de esferas autônomas que dão sentido às ações individuais.  Mas só o indivíduo é capaz de realizar ações sociais.  A ação social é uma ação cujo sentido é orientado para o outro.  Um conjunto de ações não é necessariamente ação social.  Para que haja uma ação social, o sentido da ação deve ser orientada para o outro.  Seja esta ação para o ‘bem’ ou o ‘mal’ do outro.  A ação social não implica uma reciprocidade de sentidos: o outro pode até não saber da intenção do agente.
Para Weber há quatro tipos de ação social: ação social tradicional, ação social afetiva, ação social racional quanto aos valores, ação social racional quanto aos fins.
Ação social tradicional é aquela que o indivíduo toma de maneira automática, sem pensar para realiza-la.
Ação social afetiva implica uma maior participação do agente, mas são respostas mais emocionais que racionais.  Ex.: relações familiares.  Segundo Weber, estas duas primeiras ações sociais não interessam à sociologia.
Ação racional com relação a valores é aquela em que o sociólogo consegue construir uma racionalidade a partir dos valores presentes na sociedade.  Esta ação social requer uma ética da convicção, um senso de missão que o indivíduo precisa cumprir em função dos valores que ele preza.
Ação racional com relação aos fins é aquela em que o indivíduo escolhe levando em consideração os fins que ele pretende atingir e os meios disponíveis para isso.  A pessoa avalia se a ação que ela quer realizar vale a pena, tendo em vista as dificuldades que ele precisará enfrentar em decorrência de sua ação.  Requer uma ética de responsabilidade do indivíduo por seus atos.
RELAÇÃO SOCIAL
Até agora falamos de ação social em Weber, que em diferente de relação social.  Enquanto o conhecimento do outro das intenções do agente não importa para a caracterização da ação social, a relação social é o sentido compartilhado da ação.  Relação social não é o encontro de pessoas, mas a consciência de ambas do sentido da ação.  A relação social é sempre probabilística, porque ela se fundamenta na probabilidade de ocorrer determinado evento, o que inclui oportunidade e risco.  A vida social é totalmente instável: a única coisa estável da vida social é a possibilidade (e necessidade) de escolha.  Não há determinismos sobre o que será a sociedade.  Por isso, as análises sociológicas são baseadas em probabilidades e não em verdades.
DOMINAÇÃO
Como já dissemos a vida social para Weber é uma luta constante.  Por conta disso, ele não vê possibilidade de relação social sem dominação.  Todas as esferas da ação humana estão marcadas por algum tipo de dominação.  Não existe e nem vai existir sociedade sem dominação, porque a dominação é condição de ser da sociedade.  A dominação faz com que o indivíduo obedeça a uma ordem acreditando que está realizando sua própria vontade.  O indivíduo conforma-se a um padrão por sua própria escolha e acha que está tomando uma decisão própria.
Existem pelo menos três tipos de dominação legítima: legitimação tradicional, legitimação carismática e legitimação racional.  Para Weber a burocracia é a mais bem acabada forma de dominação legítima e racional.  A burocracia baseia-se na crença na legalidade ou racionalidade de uma ordem.  A burocracia mais eficaz de exercer a dominação.  E é uma consequência do processo de racionalização da vida social moderna, sendo responsável pelo gerenciamento concentrado dos meios de administração da sociedade.  A burocracia é uma forma de organizar o trabalho, é um padrão de regras para organizar o trabalho em sociedades complexas.  A modernização para ele é o processo de passagem de uma perspectiva mais tradicional do mundo (em que as coisas são dadas) para uma perspectiva mais organizada (onde as coisas são elaboradas, construídas).  Mas para Weber, só o herói individual (o líder carismático) pode alterar o rumo da história.  Mesmo que imediatamente, uma vez que para Weber toda legitimação carismática tende a tornar-se legitimação tradicional.
ESFERAS SOCIAIS
A dominação pode ser exercida em diferentes esferas da vida social.  As “esferas” são mais analítico-teóricas que reais, e são criadas pela divisão social do trabalho.  Uma esfera não determina outra esfera, mas elas trocam influências entre si.  As esferas são autônomas, mas não independentes.  A esfera é o lugar de luta por um tipo de sentido para as relações sociais.  Classes, estamentos e partidos são fenômenos da disputa de poder nas esferas econômica, social e política, respectivamente.
CLASSE E ESTAMENTO
Vamos falar um pouco mais de classe e estamento em Weber, até para diferencia-lo de Marx. Classe para Weber é o conjunto de pessoas que tem a mesma posição diante do mercado.  Há dois tipos básicos de classe, as que têm algum tipo de bem e as que não têm algum tipo de bem. Mas as classes também se diferenciam pela qualidade dos bens possuídos. As classes, como já dissemos estão ligadas à esfera econômica da vida social.  Para Weber, a esfera econômica não tem capacidade de produzir um sentimento de pertencimento que seja capaz de gerar uma comunidade.
Estamento está ligado à esfera social, que é capaz de gerar comunidade.  Estamento é um grupo social cuja característica principal é a consciência do sentido de pertencimento ao grupo.  A luta por uma identidade social é o que caracteriza um estamento.  A luta na esfera social é para saber qual estamento vai dominar.  As profissões podem ser analisadas como estamentos.
PRINCIPAIS CRÍTICAS SOCIOLÓGICAS A WEBER
Weber supervaloriza o indivíduo, tornando demasiada a cobrança sobre suas escolhas e conformidades.  Talvez nem tudo seja escolhido individualmente.
Ele ao mesmo tempo em que vê na burocracia forma mais acabada de dominação legítima, acha que a burocracia fortalece a democracia por causa de sua impessoalidade.  Talvez ele não tenha tido tempo para perceber que a burocracia tem a possibilidade de ser um instrumento de democratização, mas que frequentemente funciona de maneira contrária, servindo apenas como instrumento de dominação. CONCLUSÃO
RELEVÂNCIA ATUAL DE MARX, DURKHEIM E WEBER PARA A SOCIOLOGIA
A principal importância de Marx para hoje é que podemos dizer que ele ao enunciar que tudo vira mercadoria, acertou (ou contribuiu para isso).  A prevalência da economia hoje em dia, representada pela força dos próprios economistas na sociedade (funcionando como gurus), dá uma ideia da importância de Marx para as ciências sociais.  Outro aspecto importante é que o uso da teoria marxista hoje não precisa se preocupar com a análise da realidade política, uma vez que o socialismo real chegou ao fim.
A importância de Durkheim é que não se pode fazer sociologia da educação sem Durkheim, principalmente na análise de processos de socialização a partir da escola.  Durkheim fornece instrumentos para entender os processos.  O conceito de anomia, por exemplo, é básico para entender mudanças que impliquem alterações nas relações sociais, tais como modernização da sociedade, urbanização, industrialização, padrões morais e construção/alteração de identidades coletivas.

Weber talvez seja o mais atual dos autores clássicos da sociologia com importantes contribuições para a teoria antropológica, devido ao seu individualismo metodológico, para a sociologia das profissões, para a análise das relações de dominação e dos processos de racionalização das sociedades.  Mas sem dúvida a grande contribuição de Weber foi à necessidade de pesquisas empíricas para afirmar alguma coisa científica.  Isso porque sua teoria não aceita determinismos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Peter Berger - Socialização e controle social

Obra: A construção da realidade social (1966)

Aprendizagem, imitação e identificação.

Socialização primária

Os contatos caracterizados por alto grau de afetividade, que constituem as relações diretas e de forte proximidade entre os integrantes.

Socialização secundária

Socialização iniciada ao final da infância até os fins dos dias. A criança já socializada é introduzida em novas e diferentes realidades sociais, mais específicas, fora da família nuclear, nos espaços parciais. É o processo de socialização que ocorre nos locais de trabalho, nos grupos de amigos, nas práticas esportivas em grupo. Os agentes são mais diversificados e sua atividade na adaptação do indivíduo ao grupo em questão esta relacionada às escolhas e as situações sociais experimentadas pelos elementos envolvidos.

Agentes de socialização

MDCM (meios de comunicação em massa), programas e publicidade direcionadas ao público infantil.

Instituições sociais

Conjunto relativamente instável de padrões culturais sancionados coletivamente e qu servem como modelo para a construção da personalidade e das ações individuais. Essas instituições sociais determinam as diferentes maneiras pelas quais os indivíduos são moldados

Escola

Transmissão de padrões de relacionamento com grupos diversos, códigos, linguagens sociais e práticas sociais.

Religião

Padrões morais socialmente aceitos e reflexão sobre morte e o transcendente.

Questões

1- Em que consiste o processo de socialização e quais tipos de socialização podem ser identificados?

2- Explique a diferença entre grupos e instituições sociais.

3- De que modo o controle social permite estabelecer uma previsibilidade no comportamento dos indivíduos e grupos sociais?

4- Analise o impacto das tecnologias da informação nos processos de socialização e de interação social atualmente.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Max Weber - Dominação (Tradicional, Carismática e legal)

Há uma relação de dominação quando uma quantidade qualquer de indivíduos obedecem a uma ordem vinda de parte da sociedade, seja ela composta por uma ou por diversas pessoas. A dominação é sempre resultado de uma relação social de poder desigual, onde percebe-se claramente a existência de um lado que comanda (domina) e outro que obedece. Podemos assemelhar assim a dominação a qualquer situação em que encontremos indivíduos subordinados ao poder de outros. Mas a dominação difere das relações de poder em geral por apresentar uma tendência a se estabilizar, a procurar se manter sem provocar confrontos. Em outras palavras, as relações de dominação dentro de uma sociedade se caracterizam por buscar formas de legitimação, de serem reconhecidas como necessárias para a manutenção da ordem social. O sociólogo Max Weber apresentou, em um de seus estudos mais importantes, três tipos puros de dominação legítima, cada um deles gerando diferentes categorias de autoridade. São classificados como puros porque só podem ser encontrados isolados no nível da teoria, combinando-se quando observados em exemplos concretos. O primeiro deles é a dominação tradicional. Significa aquela situação em que a obediência se dá por motivos de hábito, porque tal comportamento já faz parte dos costumes. É a relação de dominação enraizada na cultura da sociedade. Um exemplo extremamente claro é o da família patriarcal: os filhos obedecem aos pais devido a uma relação de fidelidade há muito estabelecida e respeitada. O segundo tipo de dominação é a carismática. Nela a relação se sustenta pela crença dos subordinados nas qualidades superiores do líder. Essas qualidades podem ser tanto dons sobrenaturais quanto a coragem e a inteligência inigualáveis. Podemos tomar como exemplo qualquer grupo religioso centrado na figura do profeta, que apenas através de suas habilidades e conhecimentos pessoais, sem o uso da força, consegue arregimentar um grande número de seguidores. O último tipo de dominação é a dominação legal, ou seja, através das leis. Nessa situação, um grupo de os indivíduos submete-se a um conjunto de regras formalmente definidas e aceitas por todos os integrantes. São essas regras que determinam ao mesmo tempo a quem e em que medida as pessoas devem obedecer. Um exemplo ilustrativo é o do empregado que acata as ordens de um superior, seja ele o patrão ou não, de acordo com as cláusulas (regras, leis) do contrato assinado por todas as partes. Uma outra questão apontada por Weber é que, conforme a relação de dominação tem seu alcance ampliado, torna-se necessária a adoção de mecanismos que possibilitem a sua expressão uniforme e que garantam a execução de suas ordens, mecanismos estes que geralmente se apresentam sob a forma de equipes de apoio. Cada um dos tipos apresenta uma maneira especial de selecionar pessoas para essas equipes. Num contexto tradicional seus integrantes são determinados conforme sua experiência, sua fidelidade e sua intimidade com a tradição são reconhecidas pelo grupo e pelos seus superiores. Em um ambiente carismático a equipe é pessoalmente escolhida pelo líder, de acordo com as afinidades entre eles. Mas não podemos deixar de assinalar a importância de que os escolhidos também apresentem qualidades que garantam sua proeminência sobre a população. Por fim, num meio mantido por regras comuns, a determinação dos membros da equipe deve seguir, da mesma maneira, normas universais. Nesta caso essas normas geralmente se resumem à competência e à eficiência para executar as atividades necessárias, e a burocracia aparece como sua forma mais completa.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Karl Marx, síntese das ideias principais.


Karl Marx

1. Bibliografia

·         1818: Karl Marx nasce no dia 15 de maio em Trier (Prússia renana).
·         1935-36: estuda Direito em Bonn.
·         1836: Mudou-se para Berlim onde passou a freqüentar o Doktor Club e manteve contatos com os hegelianos de esquerda.
·         1841: doutora-se em Filosofia em Iena. Escreve a Diferença da filosofia da natureza em Demócrito e Epicuro.
·         1842: redator da Gazeta Renana (jornal liberal).
·         1844: Vai para Paris, escreve os Manuscritos econômicos e filosóficos, conhece Friedrich Engels e ambos escrevem a A sagrada família;
·         1846: Vai para Bélgica, escreve A ideologia alemã contra os hegelianos de esquerda.
·         1848: escreveu, com Engels, O manifesto do Partido Comunista;
·         1849: vai para Londres;
·         1859: foi publicada A crítica de economia política;
·         1862-63: Teorias da Mais-valia.
·         1865: Salário, preço e lucro;
·         1867: escreve o primeiro volume de O Capital.

·         1883: faleceu no dia 14 de março em Londres;
·         1885: Engels publicou o segundo volume de  O Capital;
·         1894: Engels publicou o terceiro volume de    O Capital;
·         1905: Kaustiski publicou o terceiro volume de O Capital.


2. Objetivo de sua vida e obra.

§  O fundamento de seu pensamento é a afirmação de que a história é fruto da ação dos homens, ela é superior a cada um deles.

§  Os liberais admitiam que o egoísmo de cada um construiria o interesse comum. Em Marx, é possível encontrar uma elaboração intelectual que vai de encontro aos liberais: o egoísmo de cada um destruiria o interesse comum.

§  O objetivo de Karl Marx era destruir o Capitalismo, e todo seu pensamento foi direcionado com o intuito de acelerá-lo. Por esse motivo, ao analisar o Capitalismo, não o fez de maneira científica, pois primeiro condenou-o e depois escreveu sobre ele.


§  Marx partiu do pressuposto que o Capitalismo era ruim e teria que ser destruído, para somente depois estudá-lo.
§  Na compreensão da sociedade, é preciso entender a economia, bem como para entender a economia é necessário entender o funcionamento da sociedade.

§  O fundamento de seu pensamento é a afirmação de que a história é fruto da ação dos homens, ela é superior a cada um deles.

§  Os liberais admitiam que o egoísmo de cada um construiria o interesse comum. Em Marx, é possível encontrar uma elaboração intelectual que vai de encontro aos liberais: o egoísmo de cada um destruiria o interesse comum.


3. Conceitos.

·         A presença de Karl Marx, como um dos fundadores da Sociologia como ciência, pode resumir-se aos conceitos que ele introduziu no estudo da sociedade:

1.      Massa;
2.      Proletariado;
3.      Classe;
4.      A importância do econômico
5.      A idéia de evolução;
6.      Colocou o homem na história (a idéia e evolução são nitidamente hegelianas).


4. Influências no pensamento de Karl Marx.
Karl Marx



Filosofia idealista                               Sociologia                                          Economia
Alemã                                                Utópica Francesa                               Inglesa


5. Pensamento de Marx.

Um dos grandes méritos do pensamento de Marx foi ter dialogado com as principais correntes teóricas de seu tempo.


·         Filosofia Alemã
Marx, que era doutor em filosofia, começou sua análises teóricas integrando-se a um grupo de pensadores alemães chamado de esquerda hegeliana.

·         Socialismo utópico
Marx chamaria este conjunto de pensadores de socialistas utópicos, pois embora eles fizessem críticas ao sistema capitalista erravam ao não fazer uma análise profunda das leis de funcionamento do capitalismo e ao não reconhecerem a classe operária como a única possibilidade de construção do socialismo.

·         Economia Política
Em seu período na Inglaterra, Marx realizou um profundo e longo estudo da ciência econômica, para mostrar as leis de funcionamento do modo de produção capitalista e apontar as possibilidades de sua superação.


6. Teoria Sociológica.

·         Materialismo Histórico.

·         A história é fruto do trabalho humano. São os homens, interagindo para satisfazer suas necessidades que desencadeiam o processo histórico.

·         É com base nesse pressuposto geral que Marx se propôs a estudar a sociedade.


7. A sociedade.

·         Para ele, o estudo da sociedade começa quando tomamos consciência de que “o modo de produção material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral”.

·         O estudo da sociedade deve começar sempre pela sua economia (vida material do homem), que é o elemento que condiciona o desenvolvimento da vida social.


8. Resumo de seu método sociológico.

Prefácio do livro: Contribuição à Crítica da Economia Política (1859):

“O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu de guia para meus estudos, pode formular-se resumidamente assim: na produção social da própria existência, [economia], os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade”

Estas relações de produção correspondem a um grau de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas da consciência.
Portanto, o método de análise sociológica de Marx pode ser apresentado desta forma:

Superestrutura política
(Superestrutura jurídica e política)
Superestrutura ideológica
(Formas sociais determinadas de consciência)
Infra-Estrutura = forças produtivas + relações de produção.
(Estrutura econômica da Sociedade)


9. Infra-estrutura.

·         Vejamos como Marx concebe cada um destes níveis da vida social. Para Marx, o elemento fundamental da economia é o trabalho. O ser humano, para sobreviver, precisa produzir os bens necessários para a satisfação de suas necessidades.
·         É através do trabalho que o homem transforma a natureza e reproduz sua existência.
·         De acordo com o sistema dialético de Marx, através do trabalho, o homem supera sua condição de ser apenas natural e cria uma nova realidade: a vida social.
·         A sociedade é justamente a síntese do eterno processo dialético pelo qual o homem atua sobre a natureza e a transforma:
“O trabalho é um processo de que participam o homem e a natureza, processo em que o ser humano com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza [...]. Atuando assim sobre a natureza externa modificando-a, ao mesmo tempo modifica sua própria natureza.”
·         O processo de trabalho, diz Marx, envolve duas dimensões principais:
·         A relação do homem com a natureza;
·         A relação do homem com os outros homens no próprio processo de trabalho.
·         A relação do homem com a natureza é mediada pela matéria prima e pelos instrumentos de trabalho que são os meios auxiliares que o homem desenvolve e que o auxiliam no processo de produção.
·         O conjunto formado pela matéria prima, pelos meios de produção e pelos próprios trabalhadores de uma sociedade é chamado por Marx de forças produtivas.
·         As forças produtivas da sociedade correspondem a tudo aquilo que é utilizado pelo homem no processo de produção, desde a simples enxada até as máquinas mais desenvolvidas.
·         Segundo Marx:
O que é a sociedade, seja qual for a sua forma? – O produto da ação recíproca dos homens. Podem os homens escolher livremente esta ou aquela forma de sociedade? De modo algum [...]. Não é preciso acrescentar que os homens não escolhem livremente as suas forças produtivas – a base de toda a sua história -, pois toda força  produtiva é uma força adquirida, o produto de uma atividade anterior.
As forças produtivas são, portanto, o resultado da energia aplicada dos homens [...]. A conseqüência necessária: a história social dos homens nada mais é que a história do seu desenvolvimento individual, tenham ou não consciência disso.
·         Mas a produção (ou o processo de trabalho) não é um fenômeno isolado. Ela é também um fenômeno social, coletivo. Envolve, portanto, a relação do homem com o próprio homem. Por isso, no processo de trabalho, o homem cria também relações de produção. As relações de produção são as interações que os homens estabelecem entre si nas atividades produtivas.
·         Corresponde de forma geral, a divisão do trabalho, seja dentro de uma atividade específica seja entre as diversas atividades em seu conjunto.
·         Para se entender a vida de uma sociedade é preciso acompanhar a evolução de suas forças produtivas, pois são elas que determinam o tipo de relações existentes, como diz o próprio Marx:
Em certa fase de seu desenvolvimento histórico, as forças produtivas da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes (...). Abre-se, então, uma era de revolução social. A transformação que se produziu na base econômica transtorna mais ou menos lentamente toda a colossal superestrutura.


10. Superestrutura.

·         Partindo da análise das relações de produção, Marx constatou que a sociedade se dividia em classes sociais. As classes sociais são frutos das relações que os homens estabelecem no processo de produção.
·         Elas surgem quando um grupo social se apropria das forças ou meios de produção e se torna proprietários dos instrumentos de trabalho.
·         As classes sociais dividem a sociedade em dois grupos fundamentais: os proprietários dos meios de produção e os não-proprietários destes meios.
·         Dito de outra forma:
É o fenômeno da propriedade privada que dá origem às classes sociais, qual seja, a divisão da sociedade entre proprietários e não proprietários.
·         Segundo Marx:
O que eu trouxe de novo foi a demonstração de que:
1.      A existência das classes só se liga a determinadas fases históricas de desenvolvimento da produção;
2.      A luta de classes conduz, necessariamente, à ditadura do proletariado;
3.      Esta mesma ditadura não é por si mais do que a transição para abolição de todas as classes sociais e para uma sociedade sem classes.
·         Para consolidar o seu domínio sobre os não proprietários, as classes dominantes precisam fazer uso da força.
·         É nesse momento que surge o ESTADO.
·         De modo geral, Marx afirma que o Estado é um instrumento criado pelas classes dominantes para garantir seu domínio econômico sobre as outras classes.
·         As leis e determinações do Estado estão sempre voltadas para o interesse da classe dos proprietários. Quando as leis e normas do Estado falham, o poder estatal tem ainda o recurso da força eu garante os interesses das classes dominantes.
·         Um segundo instrumento das classes proprietárias para garantir seu domínio econômico é a força das idéias, ou seja, a ideologia. Para Marx, as idéias da sociedade são as idéias da classe dominante (do ponto de vista econômico e político), ela também consegue difundir a sua “visão de mundo” e os seus valores.
·         As outras classes acabam adotando esta visão e, desta forma, não percebem que são dominadas. A ideologia poder ser definida como um conjunto de representações da realidade que servem para legitimar e consolidar o poder das classes dominantes.

11. Teoria da Modernidade.

Marx, sem sombra de dúvida, é o grande analista da formação, desenvolvimento e supressão do modo de produção capitalista que se constitui, para ele, no eixo de compreensão da modernidade.
O capitalismo é o tema daquela que é considerada a principal obra de Marx – O Capital.

Podemos sintetizar a crítica de Marx ao capitalismo em duas teses principais:

Tese da exploração: o capitalismo é um sistema econômico na qual a riqueza é produzida pela exploração de uma classe social sobre a outra. O conceito central que enuncia a tese da exploração é a categoria “Mais-Valia”.

Tese da alienação: O capitalismo é um sistema econômico no qual o conjunto de indivíduos e da sociedade passa a ser determinado pelo poder impessoal do dinheiro (capital) e da própria esfera econômica que foge do controle social. O conceito central que enuncia a tese da alienação é a categoria “Fetichismo da Mercadoria”.

Tese da exploração: a mais-valia.
O elemento básico da economia capitalista, segundo Marx, é a mercadoria.
Como o capitalismo é um sistema produtor de mercadorias é preciso começar a análise deste modo de produção pela explicação das características da mercadoria.


12. Mercadoria.

Para Marx, a mercadoria tem um duplo caráter:

Mercadoria
Tese
Antítese
Síntese
Valor de uso
Valor de troca
Valor de uso e valor de troca.

Valor de uso.
O valor de uso de uma mercadoria é o seu aspecto material, ou seja, sua capacidade de satisfazer uma necessidade humana. O valor de uso, portanto, tem a ver com o “conteúdo da mercadoria”.

Valor de Troca.
O valor de troca é a capacidade que cada mercadoria possui para ser trocada por outra mercadoria. Com a troca começa a surgir um problema. Como vou saber quanto de trigo (mercadoria A) posso trocar por açúcar (mercadoria B), por exemplo? Como medir a “grandeza” do seu valor?
Adotando a teoria de David Ricardo (teoria do valor-trabalho), Marx vai afirmar que o que determina a grandeza do valor é a quantidade de trabalho socialmente necessário, ou o tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de um valor de uso.
O valor de uma mercadoria, portanto, vem do trabalho. Marx explica ainda que “tempo de trabalho socialmente necessário é o tempo de trabalho requerido para produzir-se um valor de uso qualquer, nas condições de produção socialmente normais, existentes, e com o grau social médio de destreza e intensidade do trabalho”.
Para serem trocadas entre si, as mercadorias precisam da intermediação de uma outra mercadoria: o dinheiro.
Para entender a origem do valor, diz Marx, podemos apresentá-lo de três formas:
Forma simples: uma mercadoria X pode ser trocada por outra mercadoria Y.
Forma total: uma mercadoria X pode ser trocada por várias mercadorias (a,b,c,d,e,f etc.)
Forma dinheiro: todas as mercadorias (a,b,c,d,e,f etc.), podem ser trocadas por uma única mercadoria que serve de “equivalente geral” para todas as mercadorias.
É neste momento, que surge o dinheiro. A ação social de todas as outras mercadorias elege, portanto, uma mercadoria determinada para nela representarem seus valores. O dinheiro serve a dois propósitos: servir de meio de troca e de forma de valor (ou equivalente geral das mercadorias).


13. Estrutura.
Estabelecidos os elementos fundamentais da economia, que são a mercadoria (M) e o dinheiro (D), Marx passa a analisar o processo de troca ou processo de circulação simples, que ele explica de acordo com a fórmula:

M ---------------- D------------------M

O importante de assinalar nesta fórmula é o seu objetivo.
A troca tem em vista a satisfação de alguma necessidade.
Ela começa com um valor de uso, que é vendido. Com o dinheiro adquire-se outro valor de uso.
Neste processo, o dinheiro é um meio de troca que serve para a aquisição de uma mercadoria que vai para a esfera do consumo.
Já a circulação capitalista tem outra fórmula:
D--------------- M --------------- + D.
Ao contrário da anterior, a circulação capitalista tem outro objetivo: o lucro.
A troca começa com dinheiro (Capital) que termina tornando-se mais dinheiro.
Este é o segredo do capitalismo.
Seu objetivo não é a satisfação das necessidades, mas a própria acumulação. A acumulação é a lei absoluta do modo de produção capitalista.
Neste processo, a mercadoria (valor de uso) é apenas um meio de valorização do capital. O dinheiro entra na circulação e depois volta a ele para tornar-se mais dinheiro.
Qual a origem do lucro?
A origem do lucro está no fato de que ela ocorre no processo de produção, e não na troca (circulação).


14. Mais-valia.

Primeiro estágio (compra):
[D----------M------------força de trabalho]
         ------------Matéria prima]
O capitalista (Alex) compra 20 kg de algodão (matéria prima) a 20 reais e, além de dois fusos no valor de 4 reais, paga a seu operário (João – força de trabalho) 3 reais.
Meu capital investido é de 27 reais.

Segundo Estágio (produção):
[.......(P)......]

A transformação do algodão em fio, através do trabalho produtivo. Em 6 horas, a jornada do trabalhador se divide em duas partes. Em 3 horas ele fabrica o equivalente a seu salário (3 reais) e nas 3 horas restantes ele produz a mais valia (3 reais).

Trabalho necessário       Trabalho excedente
------------------------ {  } ----------------------

Terceiro estágio (venda):
 [M-------- + D]

A nova mercadoria (uma camisa da Nike) é vendida a um preço de 30 reais, sendo que foram necessários 27 reais de “capital”. A mais-valia, portanto, é de 3 reais, obtidas do tempo de trabalho não pago ao trabalhador.

Resumo
Circulação
Produção
Circulação
D ---- M1
Compra
......(P)......

M2 ---- +D
Venda

A categoria básica da teoria econômica, portanto, é a categoria de mais-valia. Por isso, ao longo de O capital, ele procura mostrar que existem duas formas principais pelas quais é possível extrair lucro:

Mais-valia absoluta: o lucro é obtido pelo aumento da jornada de trabalho, em outros termos, aumenta-se a quantidade de trabalho excedente (que serve para pagar os salários).

Mais-valia relativa: o lucro é obtido pelo aumento da produtividade. Neste processo, o capitalista não precisa aumentar o tempo de trabalho. Basta fazer o trabalho render mais. Isto se consegue especialmente através do aperfeiçoamento tecnológico, pelo qual o operário produz sempre mais, apesar de não variar o tempo de trabalho.


15. Tese da alienação: fetichismo da mercadoria.

·         Além de criticar o modo de capitalista de produção por estar fundado na apropriação do valor excedente por uma determinada classe, Marx dirige também uma segunda crítica ao capitalismo: neste sistema o homem encontra-se alienado. Na verdade, o conceito de alienação foi bastante importante na obra de “jovem Marx” não é mais localizado nos textos do chamado “Marx Maduro”.
·         O ponto de partida da argumentação de Marx para apresentar sua tese da alienação também parte de uma análise da mercadoria.
·         Segundo o autor, “à primeira vista, a mercadoria parece ser coisa trivial, imediatamente compreensível. Analisando-a, vê-se que ela é algo muito estranho, cheia de sutilezas metafísicas e argúcias teológicas”.
·         Mas, em que consiste o caráter misterioso da mercadoria ao qual Marx se refere?
·         “A mercadoria é misteriosa simplesmente por encobrir as características sociais do próprio trabalho dos homens, apresentando-as como características materiais e propriedades sociais inerentes aos produtos de trabalho; por ocultar, portanto, a relação social entre os trabalhos individuais dos produtores e o trabalho total, ao refleti-la com relação social existente, à margem deles, entre os produtos de seu próprio trabalho”.
·         O que Marx procura deixar claro nesta frase é que a mercadoria perde sua relação com o trabalho e parece ganhar vida própria. Embora o valor contido nela seja fruto do trabalho investido pelo homem em sua produção, tudo se apresenta como se o valor da mercadoria já estivesse contido naturalmente nela.
·         O capital desvinculado do trabalho aliena o ser humano da produção de sua existência social. A alienação inverte o sentido das relações sociais: o homem (sujeito) se torna objeto, enquanto o objeto (mercadoria) se torna sujeito.
·         O processo de produção do capital se desprende do controle social dos indivíduos e passa a funcionar segundo sua própria lógica interna: a busca da acumulação.
·         Por outro lado, o caráter impessoal, material, formal e racional da mercadoria passa a reger a vida dos homens e suas formas de organização social.
·         Através do conceito de fetichismo da mercadoria Marx chama a atenção paro o processo de mercantilização da vida e das relações sociais: “para estes [os homens], a própria atividade social possui a forma de uma atividade das coisas sob cujo controle se encontram, ao invés de controlarem”.
·         Em outros termos, no capitalismo, em vez de a produção estar a serviço do homem, é o homem que se encontra dominado pela produção.